Capão Bonito, 18 de julho de 2024

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Dulce Guimarães: um breve momento de Eternidade

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Dulce Guimarães: um breve momento de Eternidade

“Lembro que era uma jovem graciosa e sorridente e, sobretudo, muito independente em suas opiniões”. Disse, Alfredo Bosi, professor emérito da Universidade de São Paulo, sobre Dulce Guimarães, quando a conheceu em sua juventude, “há mais de 60 anos”.

A definição de Bosi sobre Dulce Guimarães Carvalho, nascida em 1934, na cidade de Sorocaba, revela o espírito combativo desta que não poupava injustiças de toda espécie. Nas páginas d’“O Bandeirante”, jornal capão-bonitense, Dulce Guimarães, denunciava os mandos e desmandos dos governadores; os maus serviços prestados por empresas de ônibus; as péssimas condições das escolas para o ensino noturno; os livros didáticos com respostas que serviam de muleta aos professores preguiçosos e todos aqueles que queriam calar sua voz.

Quando chegou em Capão Bonito, no ano de 1966, lecionou Educação Moral e Cívica, Estudos Sociais, História e Língua Portuguesa na Escola Normal Municipal “Leonor Mendes de Barros” e no Colégio Estadual Raul Venturelli. Em 1971, foi nomeada, através de concurso público, diretora do CERV e foi ela que, até hoje, esteve por mais tempo no cargo, elevando o colégio em posição de destaque no Estado de São Paulo.

Em 1972 ganhou o primeiro lugar com a letra da canção “Morena Flor” e em 1973 com “Balada para um sonho de amor”, no FIMA (Festival Intermunicipal de Música Amadora).

Sua produção literária contemplou a poesia e o conto.

Na poesia tratou dos temas corriqueiros, banais, como no poema “Vizinhança”; do amor em “Canto”, da infância em “Ciranda das Meninas” e das dores e delícias de ser mãe e educadora em “Testamento aberto de um poeta vivo”. No conto, tratou da homossexualidade feminina em “A árvore e as raízes” e da condição da mulher numa sociedade machista em “Penélope”, “Zefa Louca” , “Floriza”e  “A Solteirona”.

Apesar do trabalho de Rogério Machado e Juraci Braz, que reuniu os cronistas capão-bonitenses em 2009 – somente agora é que se repara o erro: o Resgate da Vida e Obra de Dulce Guimarães que contou com Sarau da Roda de Leitura; Exposição na Câmara Municipal dos Vereadores e Concurso de Redação, a fim de levar para todos os cantos a História de Capão Bonito e suas Personalidades. Além disso o projeto conta com a produção do documentário “Dulce Guimarães: um breve momento de Eternidade”,  por Danilo Cacciacarro e Lua Cacciacarro.

Dulce Guimarães – diretora, professora, poeta, contista e articulista-, é uma daquelas raras figuras que aparecem de tempos em tempos para balançar as estruturas de uma cidade. E não podemos deixar que essas figuras sigam esquecidas nas páginas perecíveis dos jornais.

Longos trinta anos separam a morte de Dulce Guimarães a esta primeira empreitada de resgate de sua Vida e Obra – que perturba o sono em que repousou a memória de uma das mulheres que mais fez por Capão Bonito.

Carlos Eduardo Souza Queiroz

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